terça-feira

O longo processo

Queria falar um pouco sobre o processo de fazer  Dia Estrelado. Como alguns já sabem, o filme durou 4 anos para ficar pronto... Muita coisa aconteceu nesse período!

Desde cedo tive interesse pela animação stop motion, talvez pelo fato de a técnica ter uma ligação muito forte com a arte em si, o artesanal... É tudo palpável, físico. Aquela mundo inteiro existe ali, mas em miniatura... É fascinante!

Meus primeiros experimentos foram na escola, no primeiro ano científico, fiz a abertura de um trabalho de história, tudo bem tosco. Mais tarde, fiz mais alguns experimentos, mas tudo muito caseiro, amador. Não tinha de fato noção de alguns princípios básicos de animação, meu timing era terrível...

Comecei minha pesquisa por filmes de animação e descobri alguns animadores... os tchecos Svankmajer e Michaela Pavlátová me trouxeram muita inspiração. Filmes como Repete  e Jabberwocky  foram essenciais para a minha construção e inserção no mundo da animação.

Quando comecei a escrever Dia Estrelado, no início de 2007, não tinha ideia de como iria realizá-lo. Começava a escrever e, de repente, parava e pensava, epa, peraí, mas como é que vou animar isso aqui? Bloqueio chato. Quando conversava com Tião, meu companheiro desde o início do processo, ele me falava: pensa na história que você quer contar, deixa para pensar depois em como você vai fazer. E eu sei que você vai conseguir fazer. Ok, fiz isso, acabei escrevendo um roteiro de 17 minutos.  E 17 minutos de animação stop motion, com milhões de cenas, vários movimentos complicados. Enfim, acho que tentei dar um grande passo e ainda não tava preparada para isso.  Por isso apanhei tanto. Mas no final das contas, deu certo!

Todo mundo aprendeu fazendo. Eu aprendi a dirigir, animar... O fotógrafo, Marcelo Lordello,  nunca tinha trabalhado em um filme de animação... Maíra Mesquita, diretora de arte, também nunca tinha feito arte para animação... Enfim, a gente foi vendo que a coisa toda era muito mais complicada do que se imaginava. No início, achei que poderia filmar tudo dentro do meu quarto! Ilusão... Tivemos que alugar um estúdio bem grande... No final das contas, 2 maquetes externas de 3x3 m, outra de 4x4, mais duas internas de 1x1... Um mundo!

Além do filme, ainda tinha a faculdade! Me formei em julho de 2009, ou seja, entre 2007 e 2009, tive que levar as duas coisas juntas...

Agradeço muito toda a equipe que acreditou no processo, sem ela eu realmente não teria conseguido. Muita gente que trabalhou quase de graça, outras, de graça mesmo! E sempre acreditando no filme, dando a maior força.

Fazer esse filme foi a melhor universidade do mundo.

                                                                                                                                                                       foto: Victor Jucá





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